Um pequeno passo, uma grande confusão!

Desvio de rota

Dívida ameaça aposentadoria
de empregados da TransBrasil

Lucila Soares

Raul Junior


Os 364 fundos de pensão que funcionam no Brasil reúnem um patrimônio de 126 bilhões de reais e recebem, mensalmente, a contribuição de quase 2 milhões de pessoas que acreditam estar investindo numa aposentadoria tranqüila. Os 3.387 funcionários da TransBrasil não fogem à regra. Todos os meses, seus contracheques trazem o desconto para o Aerus, fundo de previdência de dezenove empresas e entidades do setor aeronáutico. Mas, em 1998, a companhia deixou de repassar o que descontou de seus empregados. São 11 milhões de reais que se somam a 51 milhões de reais de outras pendências da TransBrasil com o Aerus. Em outubro de 2000, a empresa conseguiu carência até 2002 para começar a pagar a maior parte da dívida. Mas a negociação sobre os 11 milhões de reais emperrou. A luz vermelha está acesa na Secretaria de Previdência Complementar (SPC), órgão responsável pela fiscalização dos fundos: se não houver acordo, os empregados da TransBrasil podem ficar a ver navios. E, no pior cenário, a conta acabará sendo paga pelos 38.000 participantes ativos e inativos do Aerus.

O presidente da TransBrasil, Antônio Celso Cipriani, afirma que apresentará na semana que vem uma proposta de escalonamento. E informa que foi preciso lançar mão desse expediente para honrar a folha de pagamentos. Isso equivale a dizer que os funcionários emprestaram dinheiro para a empresa pagar os salários deles próprios. Mas este é apenas um detalhe do caso Aerus. O problema central é que, apesar de formado por dezenove patrocinadoras, perante a lei o fundo é uma figura jurídica única. Com isso, torna-se difícil adotar medidas para evitar que as dificuldades da TransBrasil contaminem a saúde financeira do conjunto.

Uma das alternativas em estudo é um acordo pelo qual a empresa se desliga do Aerus e seu capital no fundo, calculado em 150 milhões de reais, é rateado pelos participantes, com prioridade para os aposentados. Os demais funcionários dividem o que restar, se houver sobra. Para receber pelo que pagaram, o único caminho seria a Justiça. Na outra hipótese não há acordo. A SPC tem poderes legais para designar um diretor fiscal, mas seria uma intervenção sem garantia de sanar os problemas provocados pela TransBrasil. O último recurso é rachar a conta entre todos os participantes do Aerus, com aumento de contribuições ou redução de benefícios. É um remédio amargo, que abalaria ainda mais a já combalida imagem dos fundos de pensão. E, para um país que já quebrou a previdência oficial, é péssimo negócio desmoralizar a previdência privada.

~ por camerini em Novembro 6, 2007.

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